Trump aumenta pressão sobre aliados e aprofunda desconfiança internacional
As declarações cada vez mais duras de Donald Trump passaram a atingir também países que historicamente mantêm relações próximas com os Estados Unidos. Depois de críticas direcionadas à Otan e ao Canadá, o presidente americano voltou sua atenção para parceiros como Omã e Coreia do Sul, em uma postura que tem provocado preocupação e aumentado a sensação de insegurança entre antigos aliados de Washington.
A escalada das ameaças ganhou força durante a guerra entre Estados Unidos e Irã. Países que tradicionalmente cooperam com os americanos optaram por não participar diretamente do conflito, o que teria provocado forte reação de Trump.
Na segunda-feira (17), o presidente chegou a ameaçar atacar Omã caso o país interferisse nas negociações envolvendo os Estados Unidos e o governo iraniano para tentar reabrir o Estreito de Ormuz. O sultanato exerce papel de mediador nas conversas entre os dois lados.
A irritação ocorreu após o encerramento do prazo de 60 dias estabelecido em um memorando de entendimento com o Irã. Trump havia apresentado o acordo como um dos maiores já firmados pelos Estados Unidos no Oriente Médio. Apesar disso, a iniciativa não conseguiu solucionar o conflito, que já se prolonga há seis meses, nem destravar a passagem marítima estratégica.
O Estreito de Ormuz possui enorme importância para o comércio internacional e concentra uma parcela significativa do fluxo mundial de mercadorias e energia.
Trump também utilizou as redes sociais para reforçar sua postura. Em uma das publicações, divulgou uma imagem do Estreito de Ormuz acompanhada da expressão “Novo Território dos EUA”, repetindo uma estratégia semelhante à adotada anteriormente em relação ao Canadá e à Groenlândia.
A estratégia, entretanto, parece encontrar cada vez mais resistência. As declarações do presidente não têm produzido o mesmo impacto entre aliados, adversários e até mesmo parte de seus apoiadores.
Coreia do Sul também entra na mira
A Coreia do Sul também foi alvo de críticas de Trump após o país demonstrar resistência em participar da guerra contra o Irã. Como consequência, o presidente determinou mudanças nos exercícios militares realizados conjuntamente pelos dois países.
Os treinamentos, que estavam programados para continuar até o dia 27, foram reduzidos e devem terminar nesta sexta-feira.
Trump justificou a decisão lembrando que os Estados Unidos mantêm aproximadamente 39 mil militares estacionados na Coreia do Sul e afirmou que esperava maior colaboração do aliado em relação à operação contra o Irã.
Além da questão financeira, o presidente americano apresentou outro argumento para a redução dos exercícios: evitar uma postura que pudesse prejudicar sua relação com Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte.
Trump afirmou ter uma relação positiva com Kim e relembrou os encontros que teve com o líder norte-coreano durante seu primeiro mandato.
Para a pesquisadora Dokyoung Koo, do Centro Scowcroft para Estratégia e Segurança do Atlantic Council, o principal ponto de preocupação não está necessariamente na diminuição dos exercícios militares, mas na maneira como a decisão foi tomada.
A avaliação é de que mudanças repentinas na política externa e na cooperação militar podem gerar dúvidas entre parceiros tradicionais dos Estados Unidos sobre a estabilidade dos compromissos assumidos por Washington.
O movimento ocorre em um momento de crescente tensão internacional e pode ampliar o debate sobre o futuro das alianças americanas e sobre o grau de confiança que seus parceiros ainda depositam na política externa do governo Trump.