A corrida pelo Governo do Distrito Federal começa a apresentar diferenças importantes entre os diversos perfis do eleitorado. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25), encomendada pela Globo, mostra Celina Leão (PP) na liderança da disputa pelo Palácio do Buriti, com 34% das intenções de voto no cenário estimulado.
Na sequência aparecem Arruda (PSD), com 20%, e Leandro Grass (PT), com 13%. Paula Belmonte (PSDB) e Cappelli (PSB) registram 3% cada, enquanto Kiko Caputo (Novo) soma 2%. Professora Samara Mineiro (UP) aparece com 1%. Os demais candidatos citados no levantamento registraram 0%.
O levantamento aponta ainda 10% de votos brancos, nulos ou de eleitores que afirmam não votar, enquanto 14% permanecem indecisos.
Celina lidera entre homens e mulheres
A vantagem de Celina aparece nos dois grupos de sexo analisados pela pesquisa. Entre as mulheres, a governadora registra 35%, contra 18% de Arruda e 13% de Grass.
Entre os homens, Celina tem 34%, seguida por Arruda, com 22%, e Grass, com 13%.
Diferenças aparecem no recorte por raça
Entre os eleitores que se declararam brancos, Celina alcança 29%, enquanto Grass aparece com 17% e Arruda com 18%, configurando uma disputa mais equilibrada pela segunda colocação.
Entre os eleitores pardos, Celina chega a 35%, Arruda a 23% e Grass a 10%.
Já entre os eleitores pretos, Celina registra 37%, enquanto Grass aparece com 12% e Arruda com 13%. Nesse segmento, a margem de erro é maior, de nove pontos percentuais.
Jovens e eleitores com ensino superior apresentam cenário diferente
O levantamento também revela mudanças relevantes conforme a faixa etária.
Entre eleitores de 16 a 34 anos, Celina tem 32%, Arruda 16% e Grass 14%. No grupo de 35 a 59 anos, os números são de 34%, 21% e 12%, respectivamente.
Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Celina aparece com 29%, Arruda com 24% e Grass com 14%.
O recorte por escolaridade apresenta uma das diferenças mais significativas da pesquisa. Entre os eleitores com ensino fundamental, Celina soma 36% e Arruda 28%, enquanto Grass tem 6%.
No ensino médio, Celina alcança 37%, Arruda 20% e Grass 10%.
Já entre aqueles com ensino superior, Celina aparece com 29%, mas Grass sobe para 21%, enquanto Arruda registra 14%.
Renda também influencia o cenário
Entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, Celina registra 40%, contra 21% de Arruda e 7% de Grass.
No grupo entre dois e cinco salários mínimos, a governadora tem 36%, Arruda 18% e Grass 10%.
Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, Celina aparece com 31%, seguida por Arruda, com 20%, e Grass, com 17%.
Evangélicos dão vantagem maior a Celina
No recorte religioso, a diferença mais expressiva aparece entre os eleitores evangélicos. Nesse grupo, Celina registra 40%, enquanto Arruda tem 21% e Grass, 6%.
Entre os católicos, Celina soma 31%, Arruda 23% e Grass 13%.
Identificação política muda completamente o cenário
É no recorte por orientação política que a pesquisa apresenta as maiores diferenças entre os grupos.
Entre os eleitores que se identificam como lulistas, Grass e Arruda aparecem empatados numericamente, com 24% cada. Celina registra 21%.
O cenário muda ainda mais entre os eleitores classificados como “esquerda não lulista”. Grass lidera com 47%, enquanto Celina aparece com 17% e Arruda com 11%.
Entre os independentes, Celina volta a ocupar a primeira posição, com 29%, seguida por Arruda, com 20%, e Grass, com 8%.
No grupo identificado como direita não bolsonarista, Celina registra 47%, Arruda 18% e Paula Belmonte 8%.
Já entre os bolsonaristas, Celina aparece com 49%, seguida por Arruda, com 28%. Paula Belmonte tem 3%, enquanto Grass não pontua nesse recorte.
Maioria ainda admite mudar de voto
Apesar da liderança de Celina no cenário geral, a pesquisa mostra que a eleição ainda está aberta para uma parcela significativa do eleitorado.
Segundo a Quaest, 47% dos entrevistados afirmam que a escolha do candidato é definitiva, enquanto 53% dizem que ainda podem mudar de voto até a eleição.
O levantamento ouviu 1.104 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro no resultado geral é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Nos recortes demográficos, as margens variam conforme o tamanho de cada grupo.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os números DF-06256/2026 e BR-02403/2026.
O que os números mostram
Os dados indicam uma liderança consistente de Celina Leão na maioria dos segmentos analisados, mas também revelam bolsões de maior competitividade. Eleitores com ensino superior, jovens, pessoas de maior renda e, principalmente, grupos identificados com a esquerda apresentam um cenário menos favorável à governadora.
Com mais da metade dos entrevistados admitindo que ainda pode mudar de voto, o quadro medido pela pesquisa representa um retrato do momento e não uma previsão definitiva do resultado das urnas.